Em
2002, em Las Vegas, nos Estados Unidos, os garotos Brandon Flowers (vocais,
sintetizador e composição), Dave Keuning (guitarra e vocal de apoio), Ronnie
Vannucci (bateria) e Mark Stoermer (baixo e vocal de apoio) formavam uma das
mais importantes bandas do cenário indie – The Killers. Dez anos depois e com
uma ausência de três anos dos estúdios, eles lançam o quarto, “Battle Born”.
O
álbum começa com a eletrônica e épica “Flesh and Bone”, que poderia muito bem
fazer parte da trilha musical daqueles clássicos filmes de verão dos Estados
Unidos, e, em alguns momentos, remete ao David Bowie dos anos 70: “I’ve gone
through life / White-knucled in the moments that left me behind / Refusing to
heed the yield, / I penetrate the force fields in the blind / They say I’ll
adjust / God knows I must / But I’m not sure how / This natural selection
picked me out to be / A dark horse running in a fantasy” (“Eu passei por essa
vida assustado / Nos momentos que me deixaram para trás / Se negando a dar
atenção ao lucro / Eu penetrei os campos de força no escuro / Eles dizem que eu
vou me adaptar / Deus sabe que eu preciso / Mas eu não sei como / Essa seleção
natural leva-me a ser / Um cavalo preto correndo na imaginação”). Trata-se
praticamente de um tratado de princípios da banda.
Em
seguida, é a vez da balada contagiante “Runaways”, na qual a associação com
Bruce Springsteen é imediata e que foi o primeiro single desse novo trabalho
dos Killers: “The teenage rush, she said / Ain’t we all just Runaways? We got
time / But that ain’t much / We can’t wait ‘till tomorrow” (“A pressa
adolescente, ela disse / Não somos todos nós apenas fugitivos? Nós temos tempo
/ Mas não tanto assim / Não podemos esperar até amanhã”). Lembra aquelas
baladas que agitavam as rádios FMs na década de 80? Pois é justamente o clima
da ótima e – convenhamos – um pouco brega “The Way It Was”. Já “Here With Me”
deve tocar bastante no rádio e embalar romances juvenis mundo afora:
Se
“Matter of Time” retorna ao tom mais épico do álbum, “Deadlines and
Commitments” parece ser a canção mais despretensiosa do álbum e convence
justamente por isso e pelo ar eletrônico retrô: “I’m not talking about /
Deadlines and commitments / Sold out of confusion / There is a place / Here in
the house / That you can stay” (“Eu não estou falando de / Prazos e
compromissos / Esgotado de confusão / Há um lugar / Aqui em casa / Onde você
pode ficar”). Igualmente belas são a dançante “Miss Atomic Bomb”, a empolgante “The
Rising Tide” e a calminha “Heart of a Girl”.
Para
completar, há o country rock “From Here On Out”, a acachapante “Be Still”
(talvez a melhor faixa do álbum e novamente com referências a Bruce
Springsteen) e a ótima e épica faixa-título, “Battle Born”: “You lost faith in
the human spirit / You walk around like a ghost / Your star-spangled heart /
Took a train for the coast / When you shine your hilltop mansion / So how’d you
lose the light? / Was it blown by the Wind / In the still of the night? / We’re
up against the wall” (“Você perdeu a fé no espírito humano / Você anda por aí
como um fantasma / Seu coração estrelado / Peguei um trem para o litoral /
Quando você brilhar sua mansão no morro / Então, como você perdeu a luz? / Foi
algo soprado pelo vento / Na calada da noite? / Nós estamos contra a parede”).
The
Killers completa dez anos de carreira, com um ótimo álbum, “Battle Born”, em
que os rapazes aparecem mais refinados, com canções bastante agradáveis e
prontas para embalar os corações adolescentes, como o bom pop rock sempre
precisa ser. Assim, deixe-se embalar pelas bonitas e criativas melodias do
quarteto e preste atenção também nas letras e no ótimo projeto gráfico
desenvolvido por Warren Fu, com destaque para a capa que mostra o desenho de um
carro a toda velocidade na estrada, vindo em direção a um cavalo negro, o tal
mencionado na faixa que abre o álbum.


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