quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Zimun leva seu street jazz mineiro a terras paulistanas


“Uma aquarela de sons e de pele, e pelos poros dela muita força se expele.” Essa é apenas umas das definições que os membros do Zimun têm para a banda. Formado na cena independente de Belo Horizonte, o grupo se apresenta pela primeira vez fora de Minas Gerais nesta quinta-feira (18), no Studio SP, na capital paulista.

Inspirado pelo hip hop de grupos como Digable Planets, Wu Tang Clan e De La Soul, a banda faz uma fusão de rap – mostrado nas letras dos vocalistas Matéria Prima e Fernando Castilho – com um instrumental levado para o jazz pela guitarra de Edgard Dedig, o baixo de Ravel Veiga, a bateria de Gabriel Bruce, o teclado e trompete de Rafael Bizzotto e a percussão de Rafa Nunes.

O resultado dessa fusão é um street jazz, como a própria banda define, que pode ser conferido no recém-lançado EP “Surreal”. Para o show no Studio SP, o grupo promete tocar as músicas desse trabalho, incluindo a faixa-título, e “algumas novas”.


Foto: Breno Mayer/Divulgação


Em BH, o Zimun já tocou com artistas como BNegão e abriu os shows de artistas como Criolo e Mundo Livre S.A. Já relativamente firmada no cenário independente da cidade, a banda é inclusive organizadora de um festival chamando Zimundo, que teve duas edições reunindo bandas, artistas plásticos, vídeo e gastronomia, entre outras artes.

Para a primeira apresentação do Zimun em Sampa, fica a expectativa de conferir como é essa fusão de rap e jazz que vem das Minas Gerais. Já o vocalista Matéria Prima quer saber como “é a energia que circula além do minério das montanhas”.

Serviço – Zimun no Fora do Eixo  - 18/10, a partir das 22h30
Studio SP (Rua Augusta, 591, tel. 0/xx/11 3129-7040)
Entrada gratuita
Mais informações: www.zimun.com.br

Veja a seguir trechos da entrevista feita com o pessoal do Zimun:

Vocês definem o som da banda como street jazz. Por quê?

Matéria Prima: Nós chegamos a esse conceito do street jazz a partir da perspectiva de que o jazz é um gênero musical cheio de arranjos com muita sofisticação, embora tenha vindo de uma raiz pobre. E era um som mais ouvido em um meio mais privilegiado. O jazz onde nascia não era tocado, até onde eu sei. O rap nasceu da rua, porém, busca a influência da sofisticação trazida pelo jazz. O casamento disso pode ser chamado de street jazz.

Dedig: Tem a questão do improviso também...

Matéria Prima: O improviso seria aquela coisa mais puxada para o scat. Em outros expoentes da fusão do jazz com o rap não se vê muito. E acho que acrescentando isso dá mais polpa ao rótulo.

Por que Zimun?

MP: O nome pode ter várias interpretações. Na verdade, o pai de um amigo nosso deu esse apelido, e a coisa pegou. Aí nós transformamos em um acrônimo, mas também pode ser uma onomatopeia, uma interjeição. Não é nada baseado em pesquisa sonora.

Rafa Nunes: Também está associado à questão da rua, da própria gíria. Muitas vezes uma palavra gera conceitos diferentes. E acho que Zimun está bem relacionado com isso. É um nome que está principalmente relacionado com sentidos internos, que dizem muita coisa para nós, mas que pessoas de fora não vão entender.  

MP: Acho que deixar essa aura sobre o porquê do nome é mais interessante. Porque assim como o nome não tem um significado certo, o som – apesar de ser rotulado como street jazz – também pode ir para vários lados.  

Rafa Nunes: Ainda tem uma questão mais filosófica, de transformação da palavra “imundície” até se tornar “Zimun”. Isso é uma coisa que costumo trazer bastante para a banda, como percussionista. Tenho o costume de pegar objetos, achados na rua ou não, para fazer um som. O nome tem a ver com isso também.

MP: Os MC’s do underground gringo costumam dizer que um som, quando é bom, é um som “sujo”, o que remete a uma sonoridade mais orgânica.

Dedig: Eu encontrei um significado por aí que diz que a palavra se trata de uma oração judaica que precede lamento. Então, quando uma pessoa morre existe todo um ritual, uma preparação em torno disso. Quem procurar vai encontrar isso como significado, mas não tem ligação com a gente.   

MP: Acho que é a primeira vez que a gente responde a essa pergunta... (risos)

MP: Para amarrar, vou resumir com o trecho de uma letra nova que acho que define bem o Zimun: “Uma aquarela de sons e de pele, e pelos poros dela muita força se expele.”

E quais as influências da banda?

Dedig: Cada um tem uma característica muito marcante. Acho que o foco central é o hip hop e o rap, mas vai para todo tipo de estilo.

MP: Em relação ao hip hop americano, as principais influências vêm dos anos 90. Wu Tang Clan, Digable Planets, A Tribe Called Quest, De La Soul. E tudo o que tenha esse mesmo nível de pesquisa, de sample. Entre as nacionais tem Elo da Corrente, Mamelo Sound System, Ascendência Mista etc... E mais um monte, só para ficar no hip hop.

Como funciona o processo de composição de vocês?

MP: É o processo clássico do rap: cada um faz a sua letra. Às vezes, as letras surgem do instrumental e vice-versa. Mas não existe uma regra definida.

Eu pelo menos tento trazer algo que absorvi das minhas influências, que é uma abordagem mais poética nas letras, sem ficar tão focado na realidade. Porque eu acho que o rap tem a premissa da originalidade. Então, a gente tenta não fugir do que é raiz, que é apontar as mazelas, mostrar pelo que a gente passa. Mas, ao mesmo tempo, utilizamos referências literárias e cinematográficas, por exemplo.    

Como vocês avaliam a atual cena musical independente de Belo Horizonte?

Dedig: Acho que nos últimos anos a cena tem crescido muito. Hoje temos uma gama de bandas e estilos diferentes. O momento atual é ascendente. Tem sido um turbilhão. Não posso comparar com outros Estados, mas tem muita gente trabalhando, dando as caras. Muito disco saindo também.

Qual é a expectativa para esse primeiro show em São Paulo?  

MP: Nós vamos tocar quinta-feira no Studio SP e no sábado faremos um coquetel de lançamento para convidados, no ateliê de um amigo, o Ramon Martins, que inclusive é responsável pela arte na capa do nosso EP. Nós gostamos muito da experiência de fazer um show associado a uma exposição.

Sobre o show no Studio SP acho que é interessante sentir como é tocar em um lugar que é referência como casa de shows no país inteiro, onde o público que frequenta vai em busca de ouvir e conhecer coisas novas.

E o repertório do show?

MP: Vai ser basicamente o repertório das nossas apresentações em BH, com as músicas do nosso EP e algumas novas. Tem uma música nova que estamos apresentando agora que é uma homenagem ao Wu Tang Clan, em instrumental com banda. Temos gostado bastante de fazer essa e acho que o público também vai curtir.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Conexão Manaus – Nova York


Música regional experimental dos Tucumanus é cada vez mais universal 

Rock, reggae, funk, beiradão... Tentando manter-se alheia às classificações de estilo, a banda manauara Os Tucumanus participou em setembro do Brazilian Day, em Nova York. 
Influenciado por Chico Science e Nação Zumbi, Jorge Ben, Mundo Livre S/A e Teixeira de Manaus, o então Projeto Os Tucumanus surgiu em 2001, com composições de Maurício Pardo e Denilson Novo. Coube a Pardo, na época estudante do curso de Filosofia da Universidade Federal do Amazonas batizar a banda, que contava ainda com Ítalo Jimenez na flauta e sax.
O termo “Os Tucumanus” é resultado de uma série de observações e ensaios filosóficos de Maurício Pardo sobre o produto regional e a baixo autoestima cabocla. Refere-se a um universo de pessoas com corpo de gente (humanos) e cabeça de tucumã, fruto comum na Região Norte, utilizado na capital amazonense no preparo do “X-Caboquinho” (sanduíche feito com pão francês, queijo e tucumã). O caroço do fruto, além de ser utilizado na fabricação de joias e produtos artesanais, serviu também como inspiração para Pardo em instrumentos percussivos.  
Surgia então a "cidade dos tucumanus" e também o nome da banda, que possui em sua atual formação Clóvis Rodrigues (vocal), Denilson Novo (guitarra), Miquéias Pinheiro (baixo) e Omar Guedes, o “Pelado” (bateria).

De acordo com Denilson Novo, foi Pardo ainda que encomendou ao quadrinheiro Adriano Furtado que fizesse uma ilustração da “cidade dos tucumanus”, que foi adaptada e se tornou a capa (imagem ao lado) do disco Regional Experimental, lançado em 2007 e que ajudou o grupo na divulgação para o Brazilian Day.

Ultrapassando fronteiras
Unindo humor e crítica social em suas canções e sem deixar de lado que a Amazônia é região e marca fundamental no planeta, a banda contou com o bom trabalho de marketing feito pelo agente cultural Gláucio Penalber, que apresentou o trabalho dos Tucumanus aos organizadores do Brazilian Day
Veio então o convite para a edição deste ano e, com apresentações empolgantes de canções como “Chuveiro natural”, “Serpenteia”, “Na rede”, “Churrasco de gato” e “A boca da caboca” nos palcos nova-iorquinos, como na casa de show Sob’s, na Lavagem da Rua 46 e no próprio Brazilian Day, o grupo garantiu sua participação no evento em 2013. Além desta viagem, está previsto também para ano que vem a gravação do novo CD da banda, como nome a ser definido.

Volta
Mesmo já tendo se apresentado no festival manauara Até o Tucupi, os Tucumanus farão um show oficial de sua volta ao país no dia 18 de outubro, na capital amazonense.

Flyer de divulgação do show de volta dos Tucumanus, disponível na fanpage da banda no facebook.

A banda, que foi lançada oficialmente em 2006, infelizmente ainda não é tão conhecida nem possui um circuito de shows estabelecido pela Região Norte, mesmo já tendo se apresentado em São Paulo e no Paraná, lançará ainda dia 18 seu primeiro videoclipe oficial, da música “Churrasco de gato”, produzido por Aldemar Matias.
O videoclipe possui trechos das apresentações que a banda fez nos EUA e já aponta para o crescimento e maior profissionalismo do grupo. Mais que isso: exemplifica o quanto o som regional experimental dos Tucumanus é cada vez mais universal. 

Serviço
Show Oficial de Retorno d’Os Tucumanus
Quando? 18 de outubro, 21h
Onde? República Real (Av. Djalma Batista, 705, Chapada, Manaus/AM)
Quanto? 20 reais (pista)