“Uma
aquarela de sons e de pele, e pelos poros dela muita força se expele.” Essa é
apenas umas das definições que os membros do Zimun têm para a banda. Formado na
cena independente de Belo Horizonte, o grupo se apresenta pela primeira vez
fora de Minas Gerais nesta quinta-feira (18), no Studio SP, na capital
paulista.
Inspirado
pelo hip hop de grupos como Digable Planets, Wu Tang Clan e De La Soul, a banda
faz uma fusão de rap – mostrado nas letras dos vocalistas Matéria Prima e
Fernando Castilho – com um instrumental levado para o jazz pela guitarra de
Edgard Dedig, o baixo de Ravel Veiga, a bateria de Gabriel Bruce, o teclado e
trompete de Rafael Bizzotto e a percussão de Rafa Nunes.
O
resultado dessa fusão é um street jazz, como a própria banda define, que
pode ser conferido no recém-lançado EP “Surreal”. Para o show no Studio SP, o
grupo promete tocar as músicas desse trabalho, incluindo a faixa-título, e
“algumas novas”.
Foto: Breno Mayer/Divulgação
Em
BH, o Zimun já tocou com artistas como BNegão e abriu os shows de artistas como
Criolo e Mundo Livre S.A. Já relativamente firmada no cenário independente da
cidade, a banda é inclusive organizadora de um festival chamando Zimundo, que
teve duas edições reunindo bandas, artistas plásticos, vídeo e gastronomia,
entre outras artes.
Para
a primeira apresentação do Zimun em Sampa, fica a expectativa de conferir como
é essa fusão de rap e jazz que vem das Minas Gerais. Já o vocalista Matéria
Prima quer saber como “é a energia que circula além do minério das montanhas”.
Serviço
– Zimun no Fora do Eixo - 18/10, a
partir das 22h30
Studio SP (Rua Augusta, 591, tel. 0/xx/11 3129-7040)
Entrada gratuita
Mais informações: www.zimun.com.br
Studio SP (Rua Augusta, 591, tel. 0/xx/11 3129-7040)
Entrada gratuita
Mais informações: www.zimun.com.br
Veja
a seguir trechos da entrevista feita com o pessoal do Zimun:
Vocês
definem o som da banda como street jazz. Por quê?
Matéria
Prima: Nós chegamos a esse conceito do
street jazz a partir da perspectiva de que o jazz é um gênero musical cheio de
arranjos com muita sofisticação, embora tenha vindo de uma raiz pobre. E era um
som mais ouvido em um meio mais privilegiado. O jazz onde nascia não era
tocado, até onde eu sei. O rap nasceu da rua, porém, busca a influência da
sofisticação trazida pelo jazz. O casamento disso pode ser chamado de street
jazz.
Dedig: Tem a questão do improviso também...
Matéria
Prima: O improviso seria aquela coisa mais
puxada para o scat. Em outros expoentes da fusão do jazz com o rap não
se vê muito. E acho que acrescentando isso dá mais polpa ao rótulo.
Por
que Zimun?
MP: O nome pode ter várias interpretações. Na verdade, o pai
de um amigo nosso deu esse apelido, e a coisa pegou. Aí nós transformamos em um
acrônimo, mas também pode ser uma onomatopeia, uma interjeição. Não é nada
baseado em pesquisa sonora.
Rafa
Nunes: Também está associado à questão da
rua, da própria gíria. Muitas vezes uma palavra gera conceitos diferentes. E
acho que Zimun está bem relacionado com isso. É um nome que está principalmente
relacionado com sentidos internos, que dizem muita coisa para nós, mas que
pessoas de fora não vão entender.
MP:
Acho que deixar essa aura sobre o porquê
do nome é mais interessante. Porque assim como o nome não tem um significado
certo, o som – apesar de ser rotulado como street jazz – também pode ir
para vários lados.
Rafa
Nunes: Ainda tem uma questão mais
filosófica, de transformação da palavra “imundície” até se tornar “Zimun”. Isso
é uma coisa que costumo trazer bastante para a banda, como percussionista.
Tenho o costume de pegar objetos, achados na rua ou não, para fazer um som. O
nome tem a ver com isso também.
MP: Os MC’s do underground gringo costumam dizer que um som, quando é bom, é um som “sujo”, o que remete a uma sonoridade mais orgânica.
MP: Os MC’s do underground gringo costumam dizer que um som, quando é bom, é um som “sujo”, o que remete a uma sonoridade mais orgânica.
Dedig: Eu encontrei um significado por aí que diz que a palavra
se trata de uma oração judaica que precede lamento. Então, quando uma pessoa
morre existe todo um ritual, uma preparação em torno disso. Quem procurar vai
encontrar isso como significado, mas não tem ligação com a gente.
MP: Acho que é a primeira vez que a gente responde a essa
pergunta... (risos)
MP:
Para amarrar, vou resumir com o trecho de
uma letra nova que acho que define bem o Zimun: “Uma aquarela de sons e de
pele, e pelos poros dela muita força se expele.”
E
quais as influências da banda?
Dedig:
Cada um tem uma característica muito
marcante. Acho que o foco central é o hip hop e o rap, mas vai para todo tipo
de estilo.
MP: Em relação ao hip hop americano, as principais influências
vêm dos anos 90. Wu Tang Clan, Digable Planets, A Tribe Called Quest, De La Soul. E tudo o que tenha esse mesmo nível de pesquisa, de sample.
Entre as nacionais tem Elo da Corrente, Mamelo Sound System, Ascendência Mista
etc... E mais um monte, só para ficar no hip hop.
Como
funciona o processo de composição de vocês?
MP:
É o processo clássico do rap: cada um faz
a sua letra. Às vezes, as letras surgem do instrumental e vice-versa. Mas não
existe uma regra definida.
Eu
pelo menos tento trazer algo que absorvi das minhas influências, que é uma
abordagem mais poética nas letras, sem ficar tão focado na realidade. Porque eu
acho que o rap tem a premissa da originalidade. Então, a gente tenta não fugir
do que é raiz, que é apontar as mazelas, mostrar pelo que a gente passa. Mas, ao
mesmo tempo, utilizamos referências literárias e cinematográficas, por exemplo.
Como
vocês avaliam a atual cena musical independente de Belo Horizonte?
Dedig:
Acho que nos últimos anos a cena tem
crescido muito. Hoje temos uma gama de bandas e estilos diferentes. O momento
atual é ascendente. Tem sido um turbilhão. Não posso comparar com outros
Estados, mas tem muita gente trabalhando, dando as caras. Muito disco saindo
também.
Qual
é a expectativa para esse primeiro show em São Paulo?
MP:
Nós vamos tocar quinta-feira no
Studio SP e no sábado faremos um coquetel de lançamento para convidados, no
ateliê de um amigo, o Ramon Martins, que inclusive é responsável pela arte na
capa do nosso EP. Nós gostamos muito da experiência de fazer um show associado
a uma exposição.
Sobre
o show no Studio SP acho que é interessante sentir como é tocar em um lugar que
é referência como casa de shows no país inteiro, onde o público que frequenta
vai em busca de ouvir e conhecer coisas novas.
E
o repertório do show?
MP: Vai ser basicamente o repertório das nossas apresentações em BH, com as músicas do nosso EP e algumas novas. Tem uma música nova que estamos apresentando agora que é uma homenagem ao Wu Tang Clan, em instrumental com banda. Temos gostado bastante de fazer essa e acho que o público também vai curtir.
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ResponderExcluirMais do que representar o som de BH, tenho certeza que vão expressar o que vai na alma de cada um de vocês! Boas influências já deu pra ver que vocês tem.
ResponderExcluirSucesso galera!